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TERREMOTOS EM MONTES CLAROS

Especialista da UnB presta esclarecimentos científicos sobre abalos sísmicos

Texto: Luís Alberto Caldeira
Foto: Fábio Marçal

“Não há motivo para se alarmar. O que as pessoas devem saber é como procederem durante um tremor”. A afirmação é da geofísica e chefe-interina do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), Profª. Mônica Giannoccaro Von Huelsen, durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (25/05) na Prefeitura de Montes Claros, que pautou os últimos abalos sísmicos registrados na cidade. O encontro contou ainda com a presença dos comandos das coordenadorias de Defesa Civil estadual e municipal e de outros órgãos de prevenção e segurança, como Corpo de Bombeiros e Polícia Militar.

A especialista da UnB tranquilizou a população lembrando que o subsolo da região é geologicamente estável, “pois o Brasil está localizado no meio de uma placa tectônica”, e, em Montes Claros, os tremores já registrados até hoje variam de intensidades fracas a moderadas, resultados de acomodações de terras que ocorrem ao longo do tempo. “A terra é dinâmica. Tem esforços agindo em todo o mundo. Chega uma hora em que a parte mais fraca da litosfera se rompe devido a isso”, explica. “Neste momento, é liberada grande energia em forma de ondas sísmicas, que se propagam”, acrescenta.

Pelo tremor de magnitude 4.5 graus na Escala Richter ocorrido no último dia 19 de maio, Mônica Von Huelsen adianta que os abalos em Montes Claros não são causados por presença de cavernas subterrâneas, exploração de poços artesianos ou pela atividade de pedreiras, mas, certamente, pela existência de falha geológica. “Estes sismos aqui são recentes e demandam estudos para mapeamento da região”, disse, ao anunciar a chegada de cinco estações sismográficas a Montes Claros, transferidas de Lavras/MG, e que ficarão no município, a princípio, por um a dois meses. “Vai depender da evolução dos abalos, pois os resultados dependem da ocorrência de sismos. Com este arranjo de equipamentos, vamos conseguir cercar e determinar com maior precisão o evento. É comum depois de um tremor principal ocorrerem réplicas. Vamos monitorar se essas magnitudes vêm diminuindo”.

Questionada sobre quando novos abalos podem ocorrer e se poderão vir com maiores magnitudes, a professora não deu certeza já que não existe no mundo tecnologia capaz de prever sismos. “Em sismologia, não temos muito poder diante da força da natureza. Pode acontecer, mas é muito difícil, pois estamos numa região estável”. Antecipou, porém, que os abalos registrados não são motivo para pânico. “Eles assustam porque não estamos habituados. Países onde há muitos terremotos, as pessoas aprendem desde cedo a como proceder e não se apavoram. Nós não temos essa cultura ainda”.

Mônica Von Huelsen diz que, no Brasil, a história da sismologia contabiliza 50 eventos com magnitude acima de 5 graus na Escala Richter. Citou exemplos do município de João Câmara/RN, quando, em 1986, um abalo de 5.1 graus atingiu a localidade, de um sismo de 6.2 graus na Serra do Tombador, em região desabitada no estado do Mato Grosso, e no mar do Espírito Santo, de intensidade semelhante, ambos no ano de 1955.

A especialista diz, entretanto, que estes tremores no Brasil não são capazes de levar ao chão edificações de qualidade, apenas produzir trincas ou rachaduras. “Já uma construção ruim, feita sem vigas, pode cair até com abalos de 4 graus”, alerta.

Em Montes Claros, três técnicos do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília já estão em campo para colocar em funcionamento os sismógrafos disponibilizados para a cidade. “Estamos contando com todo apoio da Defesa Civil Municipal e da Prefeitura, que estão nos oferecendo veículos e guias que conhecem a região, além da mão de obra para instalação”, ressaltou. O material possibilitará levantamento científico para análise da extensão dos abalos sísmicos registrados no município.

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