EM CANTO DE SEREIA

 Damião Cordeiro

“É doce morrer no mar...” – 1941 – Dorival Caymmi/Jorge Amado    

 

          É um ofício, assina. (Para quem tem o ofício de delirador, delira.)

 

          Óh indefinível mulher, sou servo de teu mavioso canto que remove minha razão, que faz com que ignore as corredeiras, e as pedras revestidas de limos, juntamente com os seus escorregos. Óh Senhora-Dama-Bailarina, incondicionalmente, sou servo de teus movediços engodos.

 

          Este embrião de bem-querer que batuca cá dentro de mim, provoca aprazíveis sensações para serem sentidas sentidos por sentidos.

          Por mais que eu negue, sou rio tranquiloso no perene, que imergido na grande barca dos silêncios, esperançoso, serpenteia leito adentro a pescar doçuras onde também condensam sais: amar!

          Ego servus verbis. Creio que é carecido o delírio da verba para que germine uma boa criação, mas é aconselhável que este escultor da palavra não caia em tentação nesse teu corpo, metade de um, metade do outro.

          É um ofício a sina.        

        

 

                                       

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