RAQUEL MENDONÇA, A GUERREIRA DA CULTURA

Maria Luiza Silveira Teles (*) 

Eu a conheci menina. Era minha aluna de inglês no Colégio Tiradentes. Via nela o projeto de uma estrela, pois sua inteligência e dedicação apontavam para isso.

Já na Faculdade, fazendo parte do corpo de jurados para escolha do discurso de formatura, senti uma alegria e um orgulho especiais, quando pude ouvi-la discursar. Embora ainda tímida, introvertida, não tive dúvidas de que ela seria a oradora oficial, assim como não duvidei de seu futuro brilhante.

 

Entretanto, aqueles que permanecem no interior, mesmo os mais excepcionais talentos, não têm grandes oportunidades de se projetarem ao nível de seu potencial. No entanto, devemos agradecer por tantos terem permanecido entre nós, pois, senão, como nossa terra poderia progredir no terreno cultural?!

 

Graças a Deus, Raquel não partiu de sua terra natal. Embora mulher de vastos horizontes, trazendo em si o sonho do intangível e da transcendência, Raquel rendeu-se ao amor intenso por Montes Claros. E pela cultura de sua terra ela tem dedicado sua vida, seu suor e seu talento! A qualquer hora do dia e em qualquer tempo, podemos encontrá-la na Secretaria de Cultura lutando, leoninamente, pelo patrimônio histórico, artístico e cultural de nossa cidade, incentivando e buscando oportunidades para os artistas de qualquer área. Trabalha tanto pela cidade e pelos outros que acaba por se deixar de lado!...

ESTRANHA NO NINHO

Maria Luiza Silveira Teles (*)

Minh’alma está encolhida dentro do peito. Doída. Solitária. Saudosa. Seu sacrário vive sendo violado. Mas, como tão bem disse Miguel Falabella, “As tempestades da alma, tão comuns na meia-idade, na verdade, são vislumbres do futuro e a bonança, que se segue a elas, sopra o vento das saudades sazonais, que chegam inexoráveis, instalam-se sem aviso prévio, tomam conta de tudo e não têm data marcada para a partida”.

Sabemos que o amor move o mundo, mas, como há muito venho dizendo em meus livros, o ser humano cada vez mais se patologiza. Vai perdendo as características de humano e se robotizando.

O LIVRO DOS 50 ANOS DA ACADEMIA MONTES-CLARENSE DE LETRAS

Maria Luiza Silveira Teles (*)

Quem somos sem memória? É ela que nos dá identidade. É a nossa história de vida, com todos seus acontecimentos, que faz de nós aquilo que somos.Assim também acontece com uma cultura, uma sociedade, uma civilização. A História nada mais é que o registro de tudo que a memória pôde colher.

O confrade Wanderlino Arruda, com seu espírito de pesquisador e sua experiência como escritor e jornalista, buscou nas atas te todos os cinquenta anos da AML a sua História para que as futuras gerações tenham conhecimento da luta, da persistência e da garra dos intelectuais de nossa terra que vêm, ao longo deste tempo, tentando manter viva em Montes Claros a chama de Atena.

MAGNUS MEDEIROS, O PROFESSOR

Maria Luiza Silveira Teles  (*)

Numa noite mágica do mês de Março, nos idos de 1961, fui a uma festa de aniversário numa linda casa da Rua Carlos Pereira. Lá, conheci um belo príncipe, com quem acabei por dançar grande parte da noite. Além de bonito, era educado, fino, culto, simpático, alegre, uma pessoa interessante e encantadora de quem me tornei amiga para o resto da vida. Ele era, então, cantor e contabilista.

Logo, no princípio de Maio, era o meu aniversário de dezoito anos e eu o convidei para a minha festa. Ele chegou com sua presença marcante, além de sua voz maviosa da qual desfrutamos por toda a noite. Seu presente para mim era um perfume que se chamava “Toque de Amor”. Pois bem, essa bendita criatura, mal sabia eu, acabaria por dar um toque de amor, de cor, de música, de vida a toda minha jornada.

ESTA SOU EU...

Maria Luiza Silveira Teles

Eu sou riso, sou pranto, sou sensível, romântica. Sou Clarice Lispector, Florbela Espanca, Rosamund Pilcher, Vargas Llosa, Saramago, Gabriel Garcia Marquez, Pablo Neruda, Guimarães Rosa, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Ivan Lins, Guilherme Arantes, Tadeu Franco, Chico Buarque. Sou, também, Schubert, Chopin, Vivaldi. 

Sou mais noite que dia. Adoro o sol lá fora e eu cá dentro; amo a chuva e seu tamborilar na janela.

Sou mais quiabo com angu do que comida sofisticada.

Sou sincera, franca, simples. Amo chapéus!