LUIZ DE PAULA – SONHOS E REALIDADE

Wanderlino Arruda

Luiz de Paula Ferreira é um milagre. Tudo na sua vida deu certo. Tudo: sonhos e realidade, jeito de ser e de viver. Comportamentos, atitudes, hábitos, numa receita sábia, e manhosamente aviada desde os velhos tempos de Roma: “Não basta ser, é preciso parecer”. Luiz – em todos os decênios que marcaram a idade do menino, do jovem e do adulto – foi e pareceu inteligente, intensa e fervorosamente, quase por um dever de fé e destinação. Querendo - quem sabe - até sem querer, jamais pôde fugir das luzes de uma generalizada admiração de próximos e distantes. Conservador e revolucionário, sempre teve como medida o comedimento, coisas de antigo PSD, que não fazia reunião sem antes de tudo estar resolvido. Luiz sabe ver e antever, vestido e revestido de inigualável poder de avaliação. Sabido, tranquilo e limpinho como um gato, no dizer do nosso saudoso João Valle Maurício.

DESEMBARGADOR ANTÔNIO AUGUSTO VELOSO

 Wanderlino Arruda

         Sérios, organizados, tranquilos, firmes e plenos de cidadania foram os caminhos do desembargador Antônio Augusto Velloso, de tão grata memória para os seguidores da história de Montes Claros e de todas as suas relações com a cultura brasileira. Um homem bom e honesto, ativo desde o início da juventude. Estudioso e trabalhador em tempo integral.  

       Antes de dizer mais sobre o montes-clarense Antônio Augusto Velloso, nascido em outubro de 1856, na fazenda Lama Preta, de propriedade de seus avós, gostaria de dizer que este livro deveria ter sido escrito pelo historiador Dário Teixeira Cotrim, há mais de dois anos, para que pudesse ser prefaciado pelo nosso inesquecível Haroldo Lívio de Oliveira, em um dourado momento de felicidade. Haroldo adorava o desembargador e tinha orgulho da sua trajetória de latinista e homem culto, intelectual dos melhores.

       Curso primário e primeiros rudimentos de latim, em Montes Claros, com o professor José Rodrigues Prates Junior, mesmo e completo nome do meu quase patrão Juca Prates, o criador do jucapratismo. Humanidades e muito mais latim em Diamantina, no Colégio Inocêncio Campos, internato no Colégio Paixão em Petrópolis, exames preparatórios para o curso superior na capital paulista. E finalmente a famosa Faculdade de Direito de São Paulo.

MOMENTOS DA ACADEMIA MONTES-CLARENSE DE LETRAS

Wanderlino Arruda

           Nove de dezembro de 1968, quase atmosfera de Natal, a Academia, em convênio com o Conservatório Lorenzo Fernandez, patrocinou o lançamento do livro “Basílio”, do escritor e político Oscar Dias Correa, mesma noite da sua posse como membro honorário da Academia. Ao ensejo, o grande jurista foi saudado pelo médico João Valle Maurício. A homenagem à professora Diva Correa, esposa do autor, foi proferida pela acadêmica Yvonne Silveira, cujo discurso sensibilizou a homenageada e a todos os acadêmicos e convidados. 

         No final da sessão, o dr. Oscar Dias Correa, homem público de fama em toda Minas Gerais, fez o agradecimento em seu nome e no de sua esposa, dizendo que a ideia de escrever o seu livro nasceu em Montes Claros, depois da leitura de “Grotão”, do dr. Maurício, e “Brejo das Almas”, de Olyntho e Yvonne Silveira, as duas publicações, fonte de inspiração. Como sempre, as festividades foram concluídas com muitos cumprimentos e um coquetel temático baseado no tempo-espaço de Natal e Ano Bom. 

JOÃO VALLE MAURÍCIO

Wanderlino Arruda

        Um dia não tão longe dos nossos tempos, chegou à Academia Mineira de Letras nosso João Valle Maurício, menino da Fazenda do Pequi, o mais apaixonado dos sertanejos do mundo montes-clarense do fim de século vinte. Não chegou só o homem, chegou o rapaz, o garoto, o menino vivedor de banhos do rio Vieira e de vaquejadas da outra banda do Pai João, na velha Fazenda dos Maurícios. Chegou já quase velho e saudoso, prenhe de alegrias e de mágoas de um passado bem vivido, humanamente bem aproveitado em todas as horas fruídas da rica existência, sempre cheia de sentimentalismos, paixão ardente sem meias-medidas, amigo ou inimigo, companheiro incondicional ou adversário, toda simpatia ou logo bem votada antipatia a quem não lhe merece o amor. Chegou ele à Academia Mineira de Letras, saudado por um dos maiores homens das Letras contemporâneas da Língua Portuguesa – o Acadêmico Aires da Mota Machado Filho, amigo e companheiro de muitos momentos.

CEMITÉRIOS DE MINAS: CULTURA E ARTE

Wanderlino Arruda

       Em nossa última reunião mensal do IHGMC, realizada em 29 de outubro, em nossa sede no Centro Cultural, o foco das atenções foi para a palestra proferida pelo arqueólogo e historiador Fabiano Lopes de Paula, Cadeira 66, patrono José Lopes de Carvalho, com o tema “Cemitérios de Minas: cultura e arte”, um lindo e proveitoso momento para muito de aprendizagem em aspectos históricos e artísticos. Com organização perfeita e uma ilustração digna de todos os elogios, tanto na apresentação de fotos em livros como na projeção dos slides, principalmente quando a nossa atenção foi chamada para o cemitério inglês da antiga Mineração de Morro Velho, em Nova Lima.