Simplicidade, liberdade, variedade, atitude

Fernando Yanmar Narciso*

Nelson Mandela, em seu livro de memórias "Conversas Que Tive Comigo", relatou que o primeiro ser vivo que viu ao abrirem os portões da prisão de Pollsmoor para a sua liberdade foi um pato que passou por baixo de suas pernas. Foi um ocorrido que o comoveu muito, que passou despercebido por todos quando comparado ao seu icônico gesto de punhos erguidos em vitória.

Na política como na arte, essa é uma grande missão. Valorizar o que é aparentemente insignificante aos olhos distraídos. Lançar holofotes e lupas sobre o irrelevante e corriqueiro, dar-lhes destaque. Às vezes aquela pinta ou verruga no rosto, aquele nariz de formato esquisito, aquela papadinha que a maioria pode pensar que o dono odeia talvez seja a característica que ele mais valoriza em si mesmo.

Woodstock sem música

Fernando Yanmar Narciso*

                Confesso a meus estimados leitores, com orgulhosa vergonha, que nunca me interessei em ver o filme Titanic, nem na época de seu lançamento nos idos de 1997 nem agora, catorze anos depois. Mas vocês se lembram do lançamento daquele filme? No Shopping Center da minha cidade, na época, quase microscópico, as filas serpenteavam e se encaracolavam ao redor e entre as mesas da praça de alimentação.

Tudo novo de novo?

Fernando Yanmar Narciso*

                A princípio de conversa, gostaria de pedir desculpas a meus estimados leitores. Preferi me ausentar de palavras e pontos por quase dois meses, por ter sido acometido por uma leve crise de quarto de idade, por assim dizer, assim como tenho estado em baixa temporada criativa. Passo horas olhando pro monitor a esmo, sem vontade de criar coisa alguma. Entendo que tenho muitos fãs net afora, mas chega uma hora que a constante busca por reconhecimento de pessoas que eu talvez nem venha a conhecer começa a parecer um tanto vazia. As idéias surgem aqui e acolá, mas a falta de saco pra passá-las para o papel virtual tornou-se um obstáculo.

Ao campeão, as vaias!

Fernando Yanmar Narciso*

Outrora, as redes sociais foram tomadas por aquele sentimentalismo-burguer brega e de fácil consumo que costumeira e contraditoriamente acompanha o Dia Internacional da Mulher. Coraçõezinhos pra lá, buquê de rosas pra cá, papéis de parede floridos ou Pink em páginas do Facebook aqui, tuítes melosos que mais parecem músicas do Yahoo acolá... Um mimo!

Por que não celebraríamos as mulheres? Afinal, elas nos trazem à vida, fazem o trabalho pesado na casa que certos marmanjos ainda se recusam a fazer, arrumam-se para a balada como se fossem se casar, ao passo que para os homens uma camiseta, calças, tênis e no máximo uma jaqueta sejam mais que suficientes.

Missão: Implausível

Fernando Yanmar Narciso*

Fui dividido ao meio. Numa ponta da gangorra está o grande clássico do cinema religioso-kitsch Os Dez Mandamentos de 1956, obra-prima do carnavalesco diretor Cecil B. DeMille com Charlton Heston, Yul Brynner e mais um metrequilhão de ilustres falecidos. Com suas quase quatro horas de duração, cenários que praticamente engoliam a audiência e efeitos visuais que estabeleceram o padrão hollywoodiano que outros tentariam superar pelos próximos 70 anos, eis um filme que parecia, desde o lançamento, intocável no topo da pirâmide.

E na outra ponta da gangorra? Mesmo sendo ateu e, ironicamente, fã do filme original, via com algum receio as notícias sobre Êxodo: Deuses e Reis, uma recontagem moderna da fábula de Moisés dirigida pelo britânico Ridley Scott, que não gozava de grande credibilidade há um bom tempo em Hollywood. Estrelado pelo eterno Cavaleiro das Trevas Christian Bale, as críticas ao filme têm sido cruéis desde seu lançamento.